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Imobiliárias têm de se adaptar à manutenção dos juros e expansão do MCMV

As duas principais notícias do mercado imobiliário desta semana a reportagem do InfoMoney, publicada na segunda-feira (24/03), mostrando a migração de grandes incorporadoras para o Minha Casa, Minha Vida

Autor: Patricia Schiavo AzevedoFonte: Portas

As duas principais notícias do mercado imobiliário desta semana — a reportagem do InfoMoney, publicada na segunda-feira (24/03), mostrando a migração de grandes incorporadoras para o Minha Casa, Minha Vida (MCMV), e a matéria do G1, divulgada na terça-feira (25/03), detalhando a ampliação dos tetos de renda e de valor dos imóveis do programa — contam uma mesma história. O centro do mercado está mudando.


E, para as imobiliárias, a mensagem é direta: é hora de se reorganizar para captar demanda, acelerar atendimento e dominar as regras do segmento que mais deve crescer nos próximos anos.


O pano de fundo dessa virada é o ambiente macroeconômico. Mesmo com a recente redução de 0,25 ponto percentual da Selic, os juros seguem altos demais para reativar a demanda da classe média, historicamente dependente do financiamento imobiliário.


Nada indica uma melhora rápida. A consequência é clara: a classe média permanece estrangulada, a compra financiada continua cara e as incorporadoras — que precisam de volume para sustentar seus ciclos — buscam esse movimento onde ele realmente existe hoje.


É aí que o MCMV ganha protagonismo. O programa, que já vinha forte, se torna ainda mais atrativo com os ajustes aprovados pelo Conselho Curador do FGTS, ampliando o limite de renda das faixas e elevando o valor máximo dos imóveis financiáveis.


Com mais famílias aptas a participar e com os benefícios trazidos pela reforma tributária, o programa se consolida como o principal canal de demanda imobiliária do país. Em ano eleitoral, esse cenário se intensifica.


O desafio que recai sobre as imobiliárias é acompanhar essa mudança com velocidade e precisão. O MCMV é um produto técnico, regulado e cheio de nuances: faixas de renda, subsídios, regras de enquadramento, limites de financiamento e prazos específicos. Em mercados como São Paulo, onde mais de 60% do volume já vem do programa, esse conhecimento está mais consolidado. Mas, no restante do país, essa expertise ainda é limitada.


É justamente por isso que a recomendação central deste momento é focar na capacitação das equipes, atualizar processos, aprofundar conhecimento sobre reforma tributária e agir com rapidez comercial.


Com muitos lançamentos acontecendo ao mesmo tempo, ganha espaço quem atende primeiro, explica melhor e domina as regras. Não basta intermediar; é necessário atuar de forma consultiva.


Além disso, a narrativa comercial muda. Com juros altos limitando o crédito tradicional, o MCMV se torna a porta de entrada mais viável para famílias que dependem de financiamento.


Explicar isso com clareza, traduzir os benefícios da reforma tributária e orientar cada etapa do processo passa a ser essencial. Quem fizer isso melhora conversão, amplia carteira e fortalece parcerias com incorporadoras.


O avanço das incorporadoras sobre o MCMV não é apenas momentâneo. Ele decorre de um novo regime de juros e de uma estrutura tributária mais favorável ao segmento popular.
Mesmo que a Selic continue caindo, o crédito imobiliário dificilmente retornará aos níveis que impulsionaram o boom da classe média na década passada. O "centro de gravidade" do setor já se deslocou — e as notícias da segunda e terça-feira apenas confirmam essa mudança.


Para as imobiliárias, trata-se de uma oportunidade concreta. Há mais oferta, mais lançamentos e mais famílias aptas a comprar. Mas só capturará essa onda quem estiver tecnicamente preparado, rápido no atendimento e atento ao reposicionamento das incorporadoras. A mudança já está em curso — e quem se organizar agora sai na frente.